Comunicado do Ex-Vereador da Câmara de Gavião, eleito pelo PSD: Paulo José Matos

 

 

Esta é a hora de ser um pai presente e embevecido.

Esta é a hora de ser um neto agradecido à avó materna, que tudo deu para me criar, e está nos seus últimos anos de vida, pelo que merece todo o carinho que eu possa presentear em tempo de vida.

Esta é a hora de voltar a contribuir efetivamente com o meu suor, no cultivo da “terra” que sempre foi o rosto da família simples a que pertenço, mas e em simultâneo sempre foi reconhecida por todos como honestamente trabalhadora.

Esta é a hora de empenhar tudo e o infinito na vida profissional, quiçá até em terras distantes de Maputo (Moçambique).

Esta é a hora de voltar a ser um cidadão entre outros.

 

Durante 7 anos, servi a causa pública da minha autarquia pois foi esse o mandato que o povo me delegou, e pelo qual sou eternamente agradecido.

Durante 7 anos, fiz sacrifícios pessoais dos quais, apesar de tudo me orgulho… como utilizar os meus dias de férias (em vez de os gozar) para estar presente em reuniões de câmara, sem prejudicar a minha entidade empregadora.

Durante 7 anos, lutei contra uma maioria socialista que não consegue evoluir, e aplica uma receita de políticas públicas abrutalhada e que serve apenas a destruição de dinheiros públicos. Nada mais são que políticas estéreis, em que o investimento não gera retorno, só despesa futura para a câmara.

Acredito, sem qualquer dúvida, que dentro de duas a três 3 décadas, e não sendo invertidas estas politicas, o resultado surgirá sem surpresas, e de forma esmagadora, no desmantelamento do concelho de Gavião. Todos os anos a autarquia Socialista de Gavião gasta mais de MEIO MILHÃO DE EUROS só em festas, almoços, jantares, participações de eventos, EMBEBEDANDO deliberadamente um povo que nunca teve muita riqueza, mas que com esta receita de entorpecimento, mais pobre fica a cada dia, financeiramente e espiritualmente.

Foram, portanto, 7 anos desperdiçados em que lutei contra uma maioria que desaproveitou tempo e dinheiro numa batalha perdida para a inépcia e ingerência.

 

O resultado que já nesta hora em que deixo as funções públicas podemos constatar chama-se agravamento do processo de “DESERTIFICAÇÃO”. O concelho de Gavião, tem das freguesias mais envelhecidas de todo o Portugal e mesmo da Europa. Custa tanto ver ruas e ruas sem uma única casa habitada. Se em 2001 a população gavionense compreendia perto de 5.000 cidadãos, agora ronda um pouco mais de 3.000.

Durante 7 anos, fui continuamente enxovalhado, ridicularizado na integridade pessoal tanto pelo Ex-Presidente Jorge Martins, como em particular, no último ano com o atual Presidente José Pio. Façam o favor de ler as atas, e apesar de terem sido suavizados os termos, as ofensas estão lá.

E porquê?

Porque o projeto que defendi e tive o orgulho liderar queria revolucionar o modo de pensar e fazer política local. Queria, queríamos sempre duas coisas, democratizar o acesso à função pública, acabando as “cunhas” conhecidas de todos, e iriamos fazer uma aposta na captação de empresas, séria e inovadora na região, e saísse ela vencedora ou não, pelo menos o concelho de Gavião poderia dizer a todos que, ao menos, tentou.

Acredito que este esquema feudal que obriga cidadãos a mendigar às escondidas de outros uma possibilidade de trabalho aqui ou ali, acabará, seja por via da justiça que se torne mais eficaz ou porque o concelho de Gavião poderá ficará sem poder político local, ficando apenas com uma junta de serviços públicos.

Ah… a juventude, essa é cada vez a mais afetada com este sistema corrompido.

Não saio triste, porque dei tudo o que podia e quem me conhece sabe que sim. Não saio pontapeado pela lei, como outros, saio pelo meu pé porque este é o meu momento, porque fui para a vida pública para servir e nunca, em momento algum quis o poder pelo poder.

 

Por último, queria agradecer a todos os cidadãos que me ajudaram nas duas candidaturas que protagonizei (2009-2013, 2013-2017), sendo que peço humildemente desculpa onde lhes falhei, mas e se puderem na vossa amnistia, considerem-me também como humano, e sendo humano, também eu erro.

Apesar de existir um núcleo “duro” de sociais-democratas no concelho de Gavião, tenho o dever moral de agradecer a uma pessoa em particular e que dá pelo nome de Saúl Pereira.

Foste um pai na política social-democrata gavionense para mim.

Sofreste pessoalmente e profissionalmente desde muito novo ao enfrentares este ambiente socialista gavionense hostil. Mas mesmo assim, no dia em que um miúdo de 24 anos (com sangue na guelra e alguma imprudência) te bateu à porta, te pediu apoio, experiencia e principalmente contactos, não fugiste à responsabilidade e ajudaste-me.

Mesmo, sendo um ex-candidato a presidente de câmara, não te importaste de me apoiar sendo candidato (2009) à junta de freguesia da qual partilhamos residência – Gavião… mesmo sabendo que o nosso modo gavionense nem sempre perde a oportunidade de mandar uma laracha e dizer que tinhas descido de “cavalo para burro”. Mesmo sendo um ex-candidato a presidente de câmara na segunda candidatura (2013), não te importaste em me apoiar sendo o meu número 2 para o que desse e viesse.

Um número 2 que na verdade foi sempre o número 1 ao conhecer todos os cidadãos deste concelho, todas as casas e ruelas e azinhagas e lugares deste concelho, todas as dificuldades deste concelho, todas as histórias felizes e infelizes dos nossos cocidadãos.

Obrigado, GRANDE SOCIAL DEMOCRATA e amigo Saúl.

 

Ao sucessor na lista do PSD Gavião, agora legalmente constituído com a minha demissão, e que dá pelo nome de Eduardo Pereira, acredito que será um sucessor condigno por vários motivos, mas por um principalmente por dois:

  • Não é comum ou usual, um funcionário público ter a coragem de sair do comodismo profissional e enveredar pela cidadania ativa, sabendo de antemão, que saindo perdedor do combate autárquico, era perdedor na “casa” do seu próprio “patrão”.
  • A freguesia donde é originário, Belver é só aquela onde o caciquismo politico está mais enraizado! Onde ser diferente (PSD) é um ato de coragem enorme, que pode colocar em risco até a convivência da sua própria família com a comunidade.

…Está no campo das impossibilidades, ser narrador em causa própria e confesso que não sei como serei recordado em terras gavionenses, mas sei como recordarei estes 7 anos… e como alguém um dia disse

 

“Não me despeço, não vou estar por aqui, mas vou andar por aí”

 

Obrigado

paulo-matos@outlook.com

 

 

 

publicado por Paulo José Matos às 13:00 | comentar | favorito