Presidente da Comissão Europeia - pela 1ª vez dependerá dos resultados das eleições

Resumos do Jornal Online: Observador.pt

Pela primeira vez na história da União Europeia, o presidente da Comissão vai ser escolhido tendo em conta o resultado das eleições europeias, ou seja, entre os nomes indicados por cada família política (partidos europeus que agregam os partidos nacionais ideologicamente semelhantes).
Além destes quatro, há mais dois candidatos indicados por famílias políticas, a alemã Ska Keller e o francês José Bové. Mas não têm apoio expresso de nenhum partido português.
Perfil
Aos 19 anos, filiou-se no Partido Social-Democrata alemão e, aos 31, tornou-se presidente da Câmara de Wurselen – cidade da Renânia do Norte-Vestfália com 37 mil habitantes. Após 11 anos como governante local, Martin Schulz foi eleito eurodeputado em 1994. Teve assento na comissão de Liberdades e Direitos dos Cidadãos, acompanhou as negociações entre a União Europeia e a Turquia, sendo ainda membro da sub-comissão de Direitos Humanos. Foi presidente do grupo dos eurodeputados socialistas entre 2004 e 2012. É presidente do Parlamento Europeu desde 2012. Desde essa altura tem-se notabilizado por criticar a ação da troika e promover a importância do emprego jovem e do crescimento. Tem vindo a fazer a ponte nas instituições europeias entre as posições de Angela Merkel e François Hollande, tentando atenuar o discurso de Berlim para com os países em maiores dificuldades, nomeadamente Grécia e Portugal.
Por que é criticado
É muito direto e opinativo e isso tem-lhe causado alguns problemas. Em fevereiro de 2012, imiscuiu-se nas relações externas de Portugal ao afirmar que a aposta do Governo em tentar atrair investimento angolano condenava “o país ao declínio”.
Quem o representa em Portugal
O Partido Socialista.

Perfil

Filho de pai sindicalista e tendo crescido entre emigrantes portugueses e italianos, Jean-Claude Juncker diz que desde cedo se deparou com os problemas do mundo laboral e que daí vem a sua afinidade com os países do Sul. Integrou o Partido Popular Social Cristão em 1974 e ocupou vários cargos governativos. Foi ministro das Finanças e presidente do Ecofin em 1991, liderando na altura as negociações do Tratado de Maastricht, até ser eleito primeiro-ministro do Luxemburgo em 1995, cargo que exerceu durante 18 anos. Juncker é o líder político europeu democraticamente eleito que mais tempo esteve à frente de um governo. Saiu em 2013 devido a um escândalo sobre os sistemas de informação. Foi ainda durante oito anos presidente do Eurogrupo, órgão que junta todos os ministros das Finanças da zona euro.

 

Por que é criticado

Tem uma posição demasiado informal e é dado a algumas gafes. Em 2011, admitiu que já tinha mentido para não alimentar a especulação dos mercados.

 

Quem o representa em Portugal

Coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP).

Perfil

Dirigente estudantil no princípio dos anos 70, Guy Verhofstad tornou-se líder da juventude do Partido da Liberdade e do Progresso entre 1979 e 1981. Ao mesmo tempo, foi ocupando lugares de relevo, tanto na política local como na política nacional belga. Foi membro do Conselho Municipal de Gante até 1982 e membro da Câmara dos Representantes entre 1978 e 1995. A par do destaque no partido, assumiu diversos cargos governativos como o de vice-primeiro-ministro e ministro do Orçamento, da Investigação Científica e do Planeamento (1985-1988). Foi primeiro-ministro da Bélgica entre 1999 e 2008, sendo eleito em 2009 como eurodeputado e passando a liderar o grupo dos Liberais europeus. Tem escrito exaustivamente sobre o projeto europeu na perspetiva federalista, defendendo os Estados Unidos da Europa. O seu nome foi falado em 2009 para substituir Durão Barroso, mas foi vetado precisamente por ser demasiado federalista. As suas prioridades são atacar o euroceticismo e promover o federalismo.

 

Por que é criticado

Tal como acontece em Portugal, nem todos os países têm um partido liberal, não sendo assim possível nalguns Estados-membros contribuir para a eleição deste candidato.
Quem o representa em Portugal
Partido Democrático do Atlântico

 Perfil

Aos 17 anos, Alexis Tsipras tomou de assalto o liceu que frequentava. O candidato a presidente da Comissão Europeia encabeçou a ocupação do edifício e viveu lá durante alguns meses como medida de protesto contra as reformas na educação, participando nas negociações entre os estudantes e o governo da altura. Foi no partido Synaspismos que se notabilizou politicamente, subindo nas fileiras desta organização pró-comunista, e chegou a ser eleito vereador em Atenas. Em 2008, torna-se presidente do partido e, no ano seguinte, é eleito deputado e líder parlamentar do Syriza – força política que agregou vários partidos da esquerda radical. Em 2012, o Syriza foi o segundo partido mais votado nas eleições legislativas, fazendo de Tsipras o líder da oposição.

 

Por que é criticado

O seu envolvimento e possível incitamento a manifestações violentas, assim como o discurso anti-Merkel, podem afastar eleitores desta esquerda radical.

 

Quem o representa em Portugal

Bloco de Esquerda

publicado por Paulo José Matos às 22:12 | comentar | favorito