O povo que era cultivado de Fé... passou a povo resistente, em Fé!

Caros amigos,

 

Há muito que quero escrever sobre as diferentes formas de estar na Fé! Hoje, e aproveitando o feriado religioso parece-me uma boa oportunidade.

 

"Porque os pastores se embruteceram, e não buscaram ao SENHOR; por isso não prosperaram, e todos os seus rebanhos se espalharam." Jeremias 10:21

 

Já pensei muitas vezes se a Fé é credível e existirá em mim? Não sei de todo a resposta. O que sei, é que me encontro a tender para o campo do agnosticismo, ou seja, deixei de considerar se a igreja pratica os ditos de Jesus Cristo, e se estes são válidos, outras preocupações me assaltam.

 

O que realmente acredito é que a base cristã da nossa sociedade cultivou os seus valores de bondade como sendo valores essenciais à convivência comum. Mas se a igreja não tivesse esse papel, os valores só por si também teriam de ter emergido, pois uma sociedade só pode tender a evoluir e não a regredir. É bom o exemplo da mensagem “ama ao teu próximo como a ti mesmo!”, quase que poderíamos resumir todo o código civil a esta menção.

 

Há nove anos deixei “oficialmente” a Igreja em que fui acólito durante três. Posso dizer com toda a sinceridade com que um rapazote pode ter em si, que tive o prazer de conhecer alguém que deixou em mim uma marca enorme – Padre Fernando Vieira.

 

Já antes conhecia o Padre Lobato, o qual via como sendo um bom pastor que tinha a seu cargo a paróquia de Margem. Apesar da dificuldade física na voz nunca isto lhe fez tremer o discurso, pelo contrário! Muitas vezes eu ouvia-o falar das escrituras interligando-as ao mundo actual, fazia um contraste sempre apaixonado do seu exemplo. A escola eclesiástica das Terras de Comenda em bem verdade, sempre foi rica nos seus bons exemplos e tantas vezes foi a esquecida!

 

O Exmo. Senhor Padre Fernando Vieira desde que eu sou “gente” foi a pessoa que mais vi lutar, fez um trabalho incansável tanto ao nível da obra física como espiritual, e à excepção de alguns nunca teve o reconhecimento das gentes de Gavião! Talvez hoje, e usando comparações, se sintam constrangidos pois admitem esse reconhecimento.

 

Alguém acha que o Padre Fernando Vieira deixava que uma capela sua pudesse ser uma casa de velório? Que a casa da Sãozinha estivesse pura e simplesmente à venda? Que no Natal não houvesse nenhuma festa digna da comunidade cristã? É óbvio, que não sei as respostas, mas sei que ele teria uma palavra FORTE para dizer a estas situações.

 

 

O único excesso e/ou grande virtude do bom Padre Fernando Vieira era ser rigoroso. Algumas vezes foi mal interpretado por o ser, mas assim tudo andava…

 

Quem não se lembra do presépio ao vivo feito sob direcção rigorosa deste bom pastor?

 

Mais de cem pessoas envolvidas, utilização de um espaço em constante degradação no largo do município, centenas de visitantes, um ambiente realmente festivo… Ah, que saudades!!!

 

Esta semana estive em Abrantes e reparei que as janelas tinham uma imagem curiosa – um menino Jesus.

 

 

 

Foi bastante curioso passear na cidade de Lisboa apenas um dia depois, e verificar que a mesma imagem estava a surgir em muitas, muitas janelas e varandas.

 

Pensei para mim, eis algo que num tempo de tanta corrupção e falta de valores podia avivar muitas pessoas para um sentido nobre da vida – o amor ao próximo!

 

Acredito sinceramente que se o Padre Fernando Vieira ainda estivesse no Gavião, este movimento já teria implodido por lá com muita força!

 

Pode ser que esta minha divulgação seja o contributo que não pode ser o do Padre Fernando Vieira…

 

http://www.estandartesdenatal.org/

 

 

 

 

Cumprimentos a todos

 

 

 

 

 

Esclarecimento a 21 de Dezembro de 2009:


Neste artigo, e no limite da compreensão, podia estar a ser interpretado que os imóveis: capela do Espírito Santo, a Casa da Sãozinha e o Seminário fossem propriedade da paróquia de Gavião, mas não o são. A paróquia fez uso deles durante muito tempo (sendo que ainda faz da capela) para serviço à comunidade mas não é detentora legal dos mesmos.

 

Este texto, teve dois objectivos:

1 - Ser saudosista em relação ao Padre Fernando Vieira, que eu pessoalmente aprecio imenso.

2 - Incentivar as pessoas a perguntarem-se se faz sentido (ou não), os três imóveis que referi, a pertecerem à paróquia para seu uso. 2.1 - Se faz sentido, o que fazer para que assim aconteça?

 

 

Peço deculpas porque reconheço que fui demasiado forte ao escrever "Natal não houvesse nenhuma festa digna da comunidade cristã", só escrevi desta forma para dar efânse ao presépio ao vivo que é um evento que gostaria de voltar a ver no Gavião.

publicado por Paulo José Matos às 16:00 | comentar | favorito