Indíce de envelhecimento destaca Gavião entre os primeiros!

Caros

 

Fui alertado pelo meu bom amigo Filipe Tibúrcio (companheiro de muitas lutas), para um indicador estatístico (negativo) que colocava Gavião no top.

 

Eu conhecia o indicador, mas em boa verdade nunca tinha reflectido sobre a sua gravidade.

 

Decidi então efectuar uma pesquisa profunda (ainda que aqui no blog seja suavizada) para poder colocar à vossa análise.

  • Definição do indicador (INE): Relação entre a população idosa e a população jovem,  pelo quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os  0 e os 14 anos (expressa habitualmente por 100 (10^2) pessoas dos 0 aos 14 anos).

O indicador acima apresentado conduz à análise de vários problemas  genéricos do envelhecimento da população:

  • Impacto nos sistemas de segurança social
  • Impacto nos sistemas de saúde
  • Cuidados sociais de longa duração
  • Desigualdades

A pesquisa foi cheia de surpresas, pois verifiquei que o primeiro roteiro protagonizado pelo nosso actual presidente da república em 2006, estava focado neste indicador!

 

 

 

Está disponível no sítio do presidente um pequeno estudo com curiosos dados!

 

fazer download carregando aqui

 

 

 

 Mas não obstante, divulgo aqui os últimos dados actualizados.


Efectuar download de dados actualizados para 2008 pelo INE em Setembro de 2009

 

 

Portugal 115,50 Índice de envelhecimento (N.º) por Local de residência; Anual
Período de referência dos dados 2008
N.º 
Vila Velha de Ródão 553,90 1
Penamacor 544,10 2
Alcoutim 532,80 3
Oleiros 508 4
Idanha-a-Nova 478,70 5
Pampilhosa da Serra 452,80 6
Gavião 442,50 7
Sabugal 423,40 8
Vinhais 398,50 9
Mação 386,60 10
Melgaço 379 11
Vimioso 374,90 12
Nisa 363,10 13
Mértola 347,20 14
Marvão 328,40 15
Monchique 327,30 16
Torre de Moncorvo 322,70 17
Almeida 320,30 18
Pedrógão Grande 306,60 19
Proença-a-Nova 306,30 20
Miranda do Douro 302,90 21
Crato 300,80 22
Mora 300,40 23
Arronches 295,60 24
Ourique 294,60 25

 

 Conclusões:

  • Gavião não está nada bem, pois o índice é 443 idosos por cada 100 jovens, um péssimo sétimo lugar a nível nacional.
  • Nos concelhos limitrofes de Gavião a situação tambem é muito constrangedora: Crato (22º), Mação (10º)  e Nisa (14º).

 

Ordenando pela região (definida segundo INE) com pior resultado: 

  • Pinhal Interior Sul    292,80

Mação    386,60

Oleiros    508
Proença-a-Nova    306,30
Sertã    210,90
Vila de Rei    288

 

  • Beira Interior Sul    235,70

 

Castelo Branco    176,30
Idanha-a-Nova    478,70
Penamacor    544,10
Vila Velha de Ródão    553,90
Cova da Beira    182,10

  • Beira Interior Norte    217

Almeida    320,30
Celorico da Beira    216,80
Figueira de Castelo Rodrigo    282,20
Guarda    144,40
Manteigas    188,30
Meda    294,50
Pinhel    275,30
Sabugal    423,40
Trancoso    225,50
 

  • Alto Trás-os-Montes    215,80

Alfândega da Fé    268,90
Boticas    282,40
Bragança    164,30
Chaves    182
Macedo de Cavaleiros    212
Miranda do Douro    302,90
Mirandela    181,70
Mogadouro    286,20
Montalegre    282,40
Murça    191
Valpaços    259,90
Vila Pouca de Aguiar    193,10
Vimioso    374,90
Vinhais    398,50

 

  • Serra da Estrela    215,40

Fornos de Algodres    228,90
Gouveia    274,50
Seia    182,80

 

  • Alto Alentejo    208,40

Alter do Chão    270
Arronches    295,60
Avis    260,50
Campo Maior    144,10
Castelo de Vide    235,10
Crato    300,80
Elvas    149,50
Fronteira    204,30
Gavião    442,50
Marvão    328,40
Monforte    197,50
Mora    300,40
Nisa    363,10
Ponte de Sor    189,10
Portalegre    176,10

 

Nota: Foram assinalados os concelhos com índice superiores a 350.

 

Os números não mentem, e Gavião na região de Portalegre é o pior concelho, distanciando-se de Nisa pela diferença de quase 100 idosos!

 

Todos os partidos políticos tem à disposição do público, artigos onde são expressas várias  opiniões muitas vezes semelhantes no conteúdo variando apenas na forma, pois cada autor tem a sua forma própria de escrever e segundo a idiologia própria.

 

Vejamos o caso presente na edição Nº 1875  (05-11-2009) do Jornal Avante - Partido Comunista Português, em que Anselmo Dias começa por demonstrar o mau resultado do índice pelo lado da natalidade, pois alude ao desgaste que a sociedade  actual  inflige mais preocupada com a submissão laboral. É pois um texto claro que vou remeter.

 

 

"(...) foi no ano após a conquista da liberdade (1975) que ocorreu o maior aumento da natalidade do século XX - 179 648 nado-vivos, valor que, até hoje, nunca mais foi ultrapassado. Hoje em dia, não há, como havia na década de sessenta, o perigo da guerra colonial, mas há o perigo de as nossas crianças nascerem numa sociedade formatada aos recibos verdes, à precariedade, ao generalizado salário médio dos 500 euros, ou seja, às condições predominantes impostas à geração com maior potencial para fomentar a natalidade.
Com tal salário, com tal abono de família - meramente simbólico - com um gritante défice em creches, com as dificuldades de acesso a casas dimensionadas a uma família com filhos, com os problemas que todos conhecem da inadequação dos horários de trabalho ao acompanhamento familiar, com as dificuldades na mobilidade e com os grosseiros erros no urbanismo, por tudo isto não é de estranhar que, em 2009, venhamos a ter um número de nascimentos inferior aos dados reportados aos últimos 100 anos.

No plano demográfico assiste-se, presentemente, a vários fenómenos, dos quais salientamos dois:


Um, positivo, resultante do aumento da longevidade, o que não deixa de constituir uma importante conquista civilizacional;
Um outro, negativo, resultante da baixa taxa de natalidade.
Correlacionando estas duas variáveis chega-se a uma conclusão muito complicada, ou seja, ao aumento do índice de envelhecimento da população.


Este índice é uma relação, calculada pela divisão do número de pessoas com 65 e mais anos, pelo número de crianças e jovens com menos de 15 anos. Quanto mais elevado for o resultado dessa divisão mais elevado é o índice de envelhecimento. Convém repetir que tal resultado emana de uma relação, pelo que não é correcto afirmar que o índice de envelhecimento resulta apenas, e só, do número de idosos.


Aliás, é possível haver muitos idosos numa sociedade com um baixo índice de envelhecimento. Para tanto basta haver uma elevada taxa de natalidade que neutralize o crescente número de idosos.


(...) Mercê do facto de não haver uma renovação de gerações assiste-se a uma dramática realidade, que é a seguinte: cerca de 82% dos concelhos têm uma população idosa superior ao número de crianças e jovens com menos de 15 anos.

 

As situações mais gravosas, em termos relativos, dizem respeito a pequenos concelhos do interior do País.
Há casos em que o número de idosos triplica o número de jovens, como são os seguintes exemplos:
No distrito de Castelo Branco: Vila Velha de Ródão, Penamacor, Oleiros, Idanha-a-Nova e Proença-a-Nova;
No distrito de Bragança: Vinhais, Vimioso, Torres de Moncorvo e Miranda do Douro;
No distrito de Portalegre: Gavião, Nisa, Marvão e Crato;
No distrito da Guarda: Sabugal e Almeida;
No distrito de Faro: Alcoutim e Monchique
Acrescem, ainda, os seguintes concelhos: Pampilhosa da Serra, Mação, Melgaço, Mértola, Pedrogão Grande e Mora.

 

Em termos absolutos as maiores concentrações de idosos localizam-se- obviamente, nos concelhos mais populosos de que se destacam: Lisboa, com 118 576 idosos, Sintra com 60 872, Vila Nova de Gaia, com 46 440, Porto, com 44 654, Cascais, com 31 791, Oeiras, com 30 774, Almada, com 30 623, Loures, com 30 286 e Amadora, com 30 068 idosos.

 

Correlacionando as duas listagens atrás referidas é fácil concluir que há duas situações distintas:
Por um lado, tendo em atenção os valores percentuais, o índice de envelhecimento é mais elevado nos pequenos concelhos do interior do país, designadamente em Trás-os- Montes, Beira Interior e Alentejo, ou seja, nas regiões que fazem fronteira com a Espanha;
Por outro lado, tendo em atenção os valores absolutos, o maior número de idosos está localizado nos grandes centros urbanos dos distritos de Lisboa e Porto, a que se junta Almada, no distrito de Setúbal.


No plano da acção politica não há que ter, a este respeito, uma postura redutora. Num e noutro casos há que pugnar pela melhoria qualitativa e quantitativa dos lares, centros de dia e de convívio, a par da exigência que o serviço nacional de saúde tenha um corpo médico adequado às patologias próprias dos idosos, ou seja, a especialidade de geriatria.


Esta preocupação tanto é oportuna no concelho com o índice mais elevado de envelhecimento do país que é Vila Velha de Ródão onde, em 2008, residiam 1263 cidadãos com 65 e mais anos, como em Lisboa, onde residiam 118 576 idosos.

 

  •  Concelhos com menor índice de envelhecimento

Em Portugal não há nenhum concelho onde a população jovem, com idade inferior aos 15 anos, represente mais de ¼ da respectiva população.

 

A maior percentagem de jovens localiza-se nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, a que se seguem os distritos do Porto e de Braga.


Em termos relativos, os concelhos com mais crianças e jovens são, por ordem decrescente: Ribeira Grande, Câmara de Lobos, Lagoa (Açores), Santa Cruz, Vila Franca do Campo e Ponta Delgada. Como se vê estamos a falar de concelhos localizados nos Açores e na Madeira.


Imediatamente a seguir surgem, no distrito do Porto, Lousada e Paços de Ferreira.
Em termos absolutos, o maior número de crianças e jovens localiza-se nos concelhos mais populosos, com especial destaque para duas situações muito particulares:


o concelho de Sintra, onde residiam 80 233 crianças, número que supera, de longe, o concelho de Lisboa, com 68 841;


o concelho de Vila Nova de Gaia, onde residiam 49 714 crianças, número que supera, de longe, o concelho do Porto, com 28 103.

 

Conclusão


A questão da natalidade é, antes de tudo e em primeiro lugar, uma opção livre de cada um dos casais portugueses. Mas é, também, por razões estratégicas, uma opção politica, ou seja, o País não pode estar condenado, no futuro, a ver reduzida a sua população e a vê-la mais envelhecida por um conjunto de factores impeditivos da renovação de gerações.


O País não pode assistir à desertificação de uma parte significativa do território nacional de tal forma que, a seguir a aldeias fantasmas, sejamos, a médio prazo, confrontados com concelhos abandonados e circunscritos, unicamente, àquilo que restou do edificado histórico.


Cabe ao Estado criar as condições materiais para que todos aqueles que desejam ter filhos, bem como àqueles que já os tendo desejam aumentar a sua prole, o façam."

 

 Espero que tenha conseguido despertar a vossa atenção, assim como a minha foi despertada.

 

Esta situação é muito constrangedora, e as medidas para melhorar são muitas, mas a falta de vontade muitas vezes parte do nosso desconhecimento, do caminho que estamos a percorrer...

 

Os melhores cumprimentos

publicado por Paulo José Matos às 00:01 | comentar | ver comentários (2) | favorito