25 de Abril de 2010

O 25 de Abril de 1974 também está por cumprir no Município de Gavião.

 

 

Os ideais de uma sociedade mais justa e plural, em que o crescimento da riqueza se faz tão equitativamente quanto possível e premiando os melhores, está por concretizar.

 

Dizer sem complexos palavras como Pátria, Pão e Povo não é querer que se reviva novamente uma guerra injusta, nem um qualquer sentimento frustrado com o que a liberdade de expressão trouxe de bom e de mau, antes é querer retomar a família no centro da sociedade. O trauma do desemprego afecta cada vez mais famílias, são mais de 700.000 mil pessoas no país.

 

Os novos agregados familiares para terem o seu pão no centro da mesa pelo trabalho sujeitam-se à ruptura temporária do seu centro familiar, quase sempre, quase sempre por uma estrada com muitos quilómetros (kms).

 

Quando se pergunta publicamente como é que o município está a promover o emprego, a resposta que vem vaidosa sem o dever estar, é que estamos a fazer segunda zona industrial do concelho mais propriamente na Comenda. Ora bem, Nisa, Crato, Mação, Abrantes e Ponte de Sor já têm zonas industriais há anos... é pelo menos uma resposta muito atrasada!

 

Quando a 3 de Março de 2010, questiono numa reunião do executivo de câmara se pelo apoio (bem direccionado) de 9.000€ ao Raid TT Ferraria - Vinhos da Margalha, o município iria aproveitar para promover as potencialidades do concelho, publicitando os produtos, as unidades de turismo rural, etc. e a economia privada em geral, a resposta foi que o CCRD da Ferraria já valorizava as potencialidades do concelho quando faz a divulgação da prova (concordo plenamente) (...) e que o Vinho "Margalha" ocupa um lugar de destaque na publicidade(...). Referiu por último e sendo esta parte que destaco "Existe sempre espaço para uma atitude mais agressiva em termos comerciais, por parte dos nossos empresários, no enquadramento desta iniciativa de tão grande mérito e projecção nacional. Basta que solicitem apoio." CONCLUSÃO: o concelho de Gavião não elegeu pessoas que são servis, pelo contrário, elegeu pessoas que se servem do seu poder de forma a que os empresários (motor da economia) tenham de ser pedintes!

Tenho a graça, de conhecer presidentes de câmaras na zona Oeste de Lisboa, que uma vez por semana percorrem a rua do comércio local a perguntar a cada homem, a cada pessoa se está tudo bem, e o que pode fazer por aquele simples comerciante/empresário/comprador. Que diferença!

Um dos símbolos deste dia de Liberdade – o Cravo, não deveria caber em si próprio, com tamanho significado, já é tempo de avançarmos e deixarmos esse símbolo que começa só a ser apenas cénico e não expressivo da pessoa que o coloca na lapela nem nas políticas que pratica. Viremo-nos para o que importa, ou seja, a capacidade introspectiva de cada um em avaliar quais as metas que nos faltam atingir para sermos um cidadão que está activo no grande projecto de tornar a Pátria numa sociedade Melhor.

 

Foi com muito cuidado que ouvi o discurso do Exmo. Sr. Presidente Jorge. O tom do discurso foi globalmente positivo, focando o trabalho desenvolvido pelos autarcas na construção de um Portugal, no pós 25 de Abril. Referiu que o tempo do trabalho do pau e pica está a terminar passando para o trabalho do apoio social. Concordo.

 

Como não poderia concordar?

Gavião, tem um saldo demográfico negativo em 300 pessoas/ano!

Gavião tem mais de 200 desempregados com mais de um ano!

Como alguém dizia: “ Obra que se faz, onde ninguém habita, é apenas pó!”

 

Não foi um discurso falso, é verdade. Foi um discurso (demasiadamente) sem ilusões e que não foi capaz de transmitir uma única réstia de esperança ao pouco povo ali presente.

Um discurso que não aponta um caminho, um discurso que não traça uma rota, que não diz para onde vamos…

 

E por último faltou uma palavra para o povo, houve homenagens públicas a duas figuras da terra, com as condecorações devidas, mas o povo?

 

Não falar no povo, em todas as suas profissões: no agricultor, no servente, no escriturário, no motorista, no bombeiro, no professor, no funcionário público, no taxista, no contabilista, na emprega de balcão, etc.

 

Eu sou Povo, e estou com o Povo! Tento sentir os seus problemas, as suas angústias, os seus traumas. Não é de propósito, mas o meu gosto pelo concelho faz com que em apenas dois dias conseguisse percorrer mais de 70% do território: Moinho do Torrão, Vale da Madeira, Vale do Gato, Vale de Bordalo, Vale de Gaviões, Comenda, Vale da Feiteira, Atalaia, Degracia Fundeira, Cadafaz, Belver, Torre Fundeira e claro Gavião. Apoiar amigos às 4 horas da manhã de Sábado, no torneio de Futsal (…) passar a tarde de Sábado na Assembleia de Freguesia de Comenda (ouvindo os problemas daquela gente), à noite partilhar os espaços da juventude na sede de concelho, Domingo de manhã participar enquanto vereador na cerimónia oficial do hastear da Bandeira Nacional de Portugal, à tarde verificar o que é sabido, o Raid da Ferraria - Vinho da Margalha, é dos melhores organizados e dos mais aclamados em Portugal – com pouco se faz muito e tanta gente trouxe a Gavião. Seria um sonho ter um Gavião assim todos os dias!

 

Obrigado às entidades que com a sua motivação e abnegação do seu tempo pessoal dão azo a estas actividades. Isto é estar com o povo sendo-o.

 

Liberdade!


 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Paulo José Matos às 04:01 | comentar | favorito