Greve Geral 24 Novembro 2010

Amigos, hoje foi com alegria que percorri a pé mais de 7 km para ir trabalhar e voltar para casa.

(Só para terem uma pequena ideia o percurso é semelhante a ir de Gavião a Degracia, e depois voltar)

Hoje foi dia de greve geral!

 

Em todo o caminho, a lembrança que me surgia era nada mais, nada menos, que as histórias de sacrifícios que os meus avos fizeram no tempo deles, e as dificuldades com que passaram: principalmente a fome, os kms a pé por dia sob um sol abrasador, com uma foice ou um enxadão na mão, e no final do dia uma tuta e meia de recompensa. Foi com essa força enorme que me mantive alegre todo o dia.

 

Felizmente, e pensado exclusivamente numa perspectiva pessoal não tenho motivos para aderir à greve, confirmo que estou numa boa empresa, ainda que trabalhe mais de 50 horas por semana, recebo o correspondente a esse sacrifício pessoal. No entanto, e caso também a minha profissão o permitisse, mais não fosse, que por um motivo puramente solidário com quem está sob pressão laboral, e quem sabe na inevitabilidade de um despedimento, que destrói toda e qualquer esperança de uma estabilidade familiar, e por consequente qualidade de vida de uma qualquer pessoa, teria feito greve.

 

Estou perfeitamente solidário, com os motivos da greve, isto é, considero que estão sendo roubados direitos laborais, e o mais grave é que isto só acontece porque a Portugal se mantêm um clima numa clima de insustentabilidade financeira, e mantém, também derivado da continuada insistência em projectos megalómanos como é o TGV?

 

Como sabem, sou contra benefícios adquiridos, mais conhecidos como subsídios para objectivos puramente lúdicos ao nível organizações e que considero um autêntico desperdício à nossa sociedade, dado que os impostos, pagamos todos nós. Mas como defensor acérrimo de que a dignidade humana se faz pela honra do trabalho, o trabalho honesto e empenhado, não posso deixar de manifestar a minha revolta contra o atentado que se está a praticar na sociedade portuguesa, e que resulta de um governação claramente negligente por parte do Partido Socialista.

 

 

 

É também com agrado que vejo isso representado nos cartazes e panfletos distribuídos pelas duas centrais sindicais, durante a manif da UGT e a CGTP.

 

Refiro que a titulo de curiosidade João Proença líder a da UGT é um dos históricos do Partido Socialista, e se ele permite este tipo de documentação de propaganda é porque também ele quer outro governo (aliás como defendeu há bem pouco tempo http://www.publico.pt/Economia/joao-proenca-defende-remodelacao-governamental_1464159 )

 

 

 


 

Gavião, pelo que soube oralmente e depois pelas noticias do DN (http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1719025 ), esteve em força máxima na greve geral, os dirigentes do STAL locais estão de parabéns, e não digo isto hoje, porque parece bem, já o disse anteriormente na forma pessoal, por outras situações.

 

Relembro que conseguir mobilizar trabalhadores numa região com um hemorragia tão grande ao nível do emprego, fazendo-as perder um dia de salário é algo que demonstra sacrifício em prol de uma causa, uma maturação ao nível do pensamento, em particular no tipo de sociedade que queremos para o futuro.

publicado por Paulo José Matos às 23:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito