25 Abril - Comentário ao discurso do Presidente da Câmara Municipal de Gavião Jorge Martins Pelo cidadão Paulo Matos

Comentário ao discurso do Presidente da Câmara Municipal de Gavião Jorge Martins

Comemorações oficiais do 25 de Abril de 1974 – Concelho de Gavião.

Pelo cidadão Paulo Matos

 

As comemorações começaram com um “pequeno incidente” notado por muitos. Isto é, o púlpito, microfone e colunas estavam montadas no exterior do edifício municipal, para que o presidente pudesse usar da palavra com alguma nota introdutória ao povo ali reunido, mas o facto é que o presidente não quis falar ali, querendo apenas discursar no salão nobre da Câmara Municipal de Gavião. Fica o apontamento.

 

O discurso começa com uma citação do jornal Expresso de 23 de Abril, da autoria do jornalista Fernando Madrinha.

 

Na segunda-feira é 25 de Abril. Há foguetes à meia-noite e manifestações durante o dia. Vão encher-se praças e avenidas com jovens de futuro incerto e velhos saudosos da juventude perdida, lembrando sonhos frustrados e as tristezas adquiridas. Discursam presidentes em Belém, mas o Parlamento está fechado, o que vai bem com esta democracia cinzenta onde temos eleições à vista, mas os verdadeiros programas dos partidos estão a ser escritos por técnicos estrangeiros instalados no Ministério das Finanças. Foi aqui que chegámos. Mas, depois do tempo, tempo vem. Hoje, mais do que nunca, é preciso recuperar o orgulho e não deixar morrer a esperança. Um cravo pode ajudar.”

Como é óbvio esta citação é tão confrangedora que nem sei até que ponto terá sido dita na qualidade de presidente da câmara de Gavião, mas em vez, dita na pessoa do socialista Jorge Martins que abnega a realidade das ações de governação desastrosas executadas pelos seus companheiros socialistas no poder executivo nacional, e que tomaram conta do pais nos últimos seis anos. Ou será que tenho de relembrar que até globalmente por três vezes, os socialistas cometeram a proeza de levar o país para a bancarrota durante a sua governação?

 

O presidente indica que o concelho está bem financeiramente e tem contado com inauguração de obras, tais como estádio do Salgueirinho ao loteamento do Calvário (entre outros).

 

 

1ª Nota – Um dos maiores e mais pesados empréstimos que a câmara tem à banca é exatamente por causa destes 2 investimentos, na ordem de um pouco mais de 1 milhão de euros.

 

 

Questiono pois, será que estas dois investimentos vão de alguma forma devolver o valor aplicado ao concelho de Gavião, e ainda que seja só a parte liquida do investimento +- 30%, ou seja, perto de 300.000€ (sendo que o resto do montante foi financiado em vulgarmente parafraseando Europa), ao longo da sua vida útil de útil? A minha resposta é, nem de perto.

 

 

O presidente passa então para a mensagem do apoio que se tem feito e vai fazer ao nível social, tanto no Centro Social de Margem, como no de Belver e a Santa Casa de Misericórdia de Gavião.

 

2ª Nota: Mas será que este esforço foi por opção, ou porque foi forçado pela oposição construtiva do PSD? Não é de esquecer que em 2010, a oposição eleita teve alguns encontros com responsáveis, tendo sido mais visível a ação pública ao centro social de Margem. Aliás esta foi alvo de ironia pelo comunicado oficial de 2 de junho de 2010 mandado publicar em todos os espaços públicos pelo presidente do município, indicando e passo a citar “Acorda tarde o Vereador Paulo Matos, tentando de forma abusiva e ridiculamente pomposa, aproveitamentos político partidários.(...) Faz-me lembrar um qualquer protagonista de divertidíssima comédia Há petróleo no Beato”.

 

É caso para dizer uma boa oposição, faz um executivo eleito governar melhor.

 

Indicou também que é preciso preparar o futuro. Questionando até se a importância da unidade territorial não estará em causa, referindo que desde o 25 de Abril, pelo o poder local tem uma palavra muito forte a dizer à sociedade.

 

3ª Nota: Meu caro presidente, só posso concordar. Mas por favor concretize em ações. Falar que o futuro é importante, é fácil, e respostas concretas ao nível do emprego para o concelho, onde estão? Subsídios esses, à para tudo, desde comprar habitação, aos nascimento de filhos, mas não são os subsídios que geram riqueza, pelo contrário, distribuem-na, e num local onde as pessoas que a geram são em menor quantidade. Concluamos há aqui um claro défice.

 

Onde está apoio concreto aos empresários quando é preciso, onde está isso?

 

Para exemplo, fazem-se projetos de natureza morta para potenciar o turismo por via de melhores condições, como é o caso de percursos pedestres, mas e os apoios às empresas de lazer que programarão essas mesmas atividades (na sua vertente económica), isso é que não se vê. E o caso mais recente, que está a vista de todos foi o caso em que a praia fluvial do Alamal entrou em competição direta com a albufeira de Montargil pelos melhores empresários da região, e quem perdeu? Gavião, pois ficou sem um excelente empresário e que durante anos fez mais por Gavião que outras pessoas com salário “patrocinado” pelo estado português (ver post http://p-m.blogs.sapo.pt/60232.html).

 

Quando eu refiro (na qualidade de vereador e em reuniões próprias) que as atividades programadas patrocinadas pelo município devem servir para promover os empresários da região por forma a lhes dar publicidade, são sempre ideias passadas em branco. A conclusão possível é: em Gavião vive-se da subsidio dependência do estado, seja de origem central ou local.

 

O discurso pareceu-me curto, face às expectativas que o momento merecia.

 

Pelo segundo ano que os desempregados foram esquecidos do discurso, que os jovens desempregados foram remetidos ao esquecimento, e não fosse a entrega das bolsas no mesmo momento aos estudantes do ensino superior que estes nem teriam tido nenhuma referência.

 

Este ano, será o ano da viragem, quer queiramos ou não.

 

Os censos 2011 já redescobriram um “velho” concelho de Gavião, despovoado e desempregado. O caminha-se para uma reorganização administrativa que tem sido discutida em offrecord por todos os partidos políticos, inclusive o PSD.

 

A desculpa que o FMI é que a pede, não é mais que disfarçar o que infelizmente já todos percebemos, o combate pela interiorização está a ficar perdido nos concelhos onde não há um mínimo de teia empresarial ou algum valor acrescentado ao nível do património, entre outros fatores.

 

No exato momento, em que se iniciar uma reforma administrativa, um dos fatores que vai dizer se o concelho sofrerá uma reestruturação ou não, será a existência de empresas geradoras de riqueza, e aqui ou acelerar-mos o passo ou morremos na praia. Não tenho dúvidas disso.

 

Em conclusão, o conteúdo do discurso não é uma clara novidade, pelo contrário excetuado a nota introdutório de não termos governo pela demissão do governo socialista na figura de José Sócrates, bem que podia ter sido dito o ano passado, que pouca novidade acrescentou à já amorfa realidade gavionense. Vou pois continuar a suspirar, por ver um concelho capaz de captar pessoas e empresas de forma rápida e consistente. Mas quando também eu perder essa esperança, terei também eu de renunciar ao cargo de vereador, que uso para levar a debate em local próprio, novas ideias que considero relevantes e preocupações que as populações me remetem.

 

 

publicado por Paulo José Matos às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito