Declaração Política de Duarte Marques

Duarte Marques frisou que “este acordo deve projetar um Novo Portugal em que todos têm direito a participar e em que principalmente os mais jovens têm uma oportunidade para conquistar o seu futuro no presente”.
 
Duarte Marques reconheceu, esta quinta-feira, que “o Acordo de Concertação Social, esta semana alcançado, pode muito bem ter evitado uma guerra entre gerações”. Para o Líder da JSD “este acordo realiza a derradeira oportunidade e o primeiro passo, para que as gerações mais velhas, em conjunto com as gerações mais novas procurem encontrar em conjunto soluções equilibradas para um caminho comum que pretende alcançar um futuro sustentável para todos”.

“Nos últimos tempos Portugal viu-se forçado a enfrentar um choque de realidade que durante demasiados anos tentou ignorar. Durante muitos anos, os governos pediram empréstimos sucessivos para manter o nosso estilo de vida acima das nossas possibilidades, ou seja, em perfeita negação como qualquer viciado. Pagámos os nossos benefícios com o dinheiro dos nossos próprios filhos, sustentando o nosso vício através da penhora das gerações futuras. Durante demasiados anos decidimos manter uma legislação laboral que protegia apenas determinados sectores e trabalhadores, atirando com isso melhores de jovens para o desemprego e empresas para a falência. Devido a uma visão de curto prazo do mais puro eleitoralismo, os nossos governantes ignoraram a necessidade de realizar reformas estruturais para fazer face à evolução demográfica da nossa sociedade. Foi esta a dura realidade que nunca quisemos encarar. Foi este imobilismo que traçou esta narrativa negra do Portugal insustentável que quase matou a sustentabilidade do Estado Social. Apesar de já vivermos há muitos anos em democracia, persiste ainda uma ditadura com a qual não contávamos:a ditadura dos direitos adquiridos, a ditadura das mesmas classes sempre protegidas, a ditadura do mercado fechado em que os jovens estavam proibidos de entrar. A ditadura que asfixia a verdadeira meritocracia, da qual o nosso futuro tanto depende”.

De seguida, e recordando que este é o ano em que celebramos a solidariedade entre gerações, o deputado falou de “uma geração que apenas tem conhecido a solidariedade dos mais novos para com os mais velhos, como se fosse uma relação unilateral”. “Falo-vos da geração mais endividada pelos seus próprios antepassados: é a geração mais prejudicada pelo desperdício público. Falo-vos da primeira geração que irá viver pior do que a anterior, discriminada face às garantias, privilégios e abusos das gerações anteriores. Falo-vos também da geração mais qualificada de sempre mas que também é aquela que conhece as maiores taxas de desemprego. Falo-vos da geração que não sai de casa dos pais porque o mercado de arrendamento é do tempo da outra senhora. É contra este statuo quo que todos juntos devemos lutar. É contra a manutenção dos direitos adquiridos à custa dos mais jovens que não ficaremos calados. É contra o paradigma que nos trouxe até aqui que nos devemos indignar. É insustentável continuarmos a pactuar com este Portugal insustentável, onde alguns desistiram e outros emigraram”.

Face a esta questão, Duarte Marques enfatizou que a Assinatura do Acordo de Concertação Social na mesma semana em que o Governo assinou o Protocolo de Cooperação com o Sector Social e Solidário se inaugura um novo paradigma na relação entre o Estado e a sociedade civil. O Deputado entende que “este é um verdadeiro compromisso e um contrato de confiança entre aqueles parceiros que verdadeiramente se preocupam com a concretização de um futuro sustentável para o nosso país, olhando para além dos seus umbigos e clientelas. É por isto que acreditamos que esta pode ser uma semana de oportunidade para Portugal”.

“Este acordo pode ser o primeiro passo para inverter um paradigma velho e caduco. Este acordo deve projetar um Novo Portugal em que todos têm direito a participar e em que principalmente os mais jovens têm uma oportunidade para conquistar o seu futuro no presente. Este modelo laboral procura respostas para todos: para os jovens, para os desempregados, para os desempregados de longa duração e também para os empregados que procuram mobilidade laboral. Este modelo cria as bases para um mercado de inclusão em contraposição a um mercado de exclusão como os jovens conheceram até hoje. Este modelo aposta num verdadeiro mercado laboral intergeracional onde, como dizia Sá Carneiro, os mais velhos têm presente e os mais novos têm futuro. Este é o acordo que deve estimular os desempregados a procurarem emprego e que os ajuda a regressar ao mercado de trabalho. É este acordo que trata os desempregados como ativos e como oportunidades e não como números ou como uma desgraça inevitável”.

A concluir, o líder da JSD frisou que “as bases estão lançadas, mas será só através do contributo de todos os stakeholders ativos e empenhados que conseguiremos recuperar Portugal, resgatar o nosso Estado Social justo e sustentável. Estamos assim a resgatar o futuro das novas gerações”.


publicado por Paulo José Matos às 20:00 | comentar | favorito