Tejo turistico - Futuro em risco?

Noticia Público

 

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Portugueses e espanhóis manifestam-se para defender o Tejo da falta de água e da poluição


12.06.2009
Jorge Talixa

 

 

 

A Rede Cidadã para uma Nova Cultura da Água, organização que reúne entidades portuguesas e espanholas empenhadas na defesa dos rios, promove uma manifestação alargada, no próximo dia 20, na cidade espanhola de Talavera de la Reina.

A iniciativa pretende dar os primeiros passos para uma grande mobilização dos cidadãos da bacia do Tejo "em defesa de uma gestão razoável, sustentável, transparente e participativa da bacia hidrográfica do Tejo" e conta em Portugal com o apoio de alguns autarcas e da Câmara de Vila Nova da Barquinha, que vai disponibilizar um autocarro para transporte de quem quiser aderir à iniciativa. Em causa estarão especialmente os problemas da política de transvases espanhola e de escassez de água no Tejo português.

De acordo com Paulo Constantino, eleito da Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha, a manifestação de dia 20, com lema Pelos nossos rios, pelo nosso futuro, pretende também garantir "o cumprimento da regulamentação comunitária em vigor e a protecção do rio Tejo, a fim de assegurar a disponibilidade de água em quantidade suficiente e de qualidade tanto para nós como para as gerações futuras, bem como a possibilidade de desfrutar das suas águas e praias limpas e de alta qualidade".

A iniciativa está a ser dinamizada em Espanha pela Plataforma del Tajo de Talavera de la Reina e pretende mobilizar também representantes de todo o percurso do Tejo em Portugal. Em Vila Nova da Barquinha, a assembleia municipal aprovou, no dia 5, uma moção que requer ao Ministério do Ambiente que diligencie no sentido de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo que "seja reflectida na política de transvases de Espanha sobre os rios ibéricos, em particular o rio Tejo, e na elaboração do Plano de Bacia Hidrográfica do rio Tejo em Espanha".

Água em falta

Reclama, também, o cumprimento da Directiva Quadro da Água junto da Comunidade Europeia, assegurando, designadamente, "os caudais ecológicos e uma política de transvases equilibrada". O documento, que foi também enviado ao primeiro-ministro, ao presidente da Assembleia da República e aos grupos parlamentares, defende a elaboração de um Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo que "integre medidas de gestão para obviar às dificuldades das políticas desenvolvidas por Espanha".

Intitulada Por um Tejo Vivo, a moção sustenta que esta posição resulta da "escassez de água e da falta de conservação que se pode, actualmente, observar no rio Tejo", que, na área do município de Vila Nova da Barquinha, se constata com "as descidas abruptas do nível da água, na deterioração acentuada da qualidade da água, no estrago causado em infra-estruturas fluviais que ficam a descoberto e na ausência de condições para a prática de desportos náuticos".

Esta realidade, segundos os eleitos de Vila Nova da Barquinha, reflecte-se também na inutilização de captações de água, nas "preocupantes alterações do ecossistema face ao aumento da temperatura que resulta dos baixos caudais" e na "recente invasão de vegetação que vem eliminando a fauna com efeitos nefastos na pesca, gastronomia e economia locais".

O documento, com base também nas posições da Rede Cidadã para uma Nova Cultura da Água, atribui o problema sobretudo à gestão do transvase entre os rios Tejo e Segura que, afirma, chega a transferir até 80 por cento das águas do Alto Tejo para o Segura e para o Guadiana. A Rede Cidadã reclama, por isso, uma revisão das regras de funcionamento dos transvases.

Zonas em risco

A moção agora aprovada cita dados da Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARHT), que referem que mais de metade das 437 zonas de água avaliadas em território português têm problemas de esgotos não tratados, excesso de nutrientes na agricultura e riscos de cheia, entre outros. A ARHT concluiu, assim, que pelo menos 208 destas zonas estão em risco. Decidiu, por isso, elaborar o Plano de Gestão de Região Hidrográfica do Tejo para aplicar entre 2010 e 2015 e definir um Plano Estratégico de Abastecimento de Águae Saneamento de Águas Residuais.

publicado por Paulo José Matos às 14:33 | favorito