Jardim Guerra Junqueiro, vulgo Jardim da Estrela

Domingo, 30 de Março de 2008
+/- 15:30 horas



Estarrecido num banco de jardim, só após duas vagas horas me reconheço lá!
 
Como bom português esquecido pelos governantes centrais, criado na marginalidade de um movimento continuo de culturas e subculturas da capital, começo especulativamente a adjectivar para lá do que vejo, criando ESTEREÓTIPOS :

"- A alguns metros de mim, sentou-se aquela Família ... uma avó de 45 anos que fuma muito mais que a alma introspectivamente aquele lugar, a mãe divorciada e visivelmente vestida com roupas velhas num corpo de 24 anos e um puto de 3/4 anos que não pára em cima do banco de jardim, enquanto a mãe com um telemóvel parecido aos nossos insiste em retratar o momento do Diogo!
 E no entanto todos parecem felizes, mesmo quando passa uma Senhora de roupas finesse " com um chiauau " dentro da uma mala e acompanhada pelo seu homem bengala, qual personagem inútil e solarenga criada por Eça de Queirós para semear no rossio lisboeta do séc. XIX.
 

 
- Viro-me e visito outra imagem de Família , e vai passando, passa vagarosamente uma idosa, saia cumprida em tons de azul oceano profundo, sozinha. Seus olhos não comportam a tristeza que suas vestes carregam.
 De vida terá uns 83 meses de Outubro, vividos nem sempre com o mesmo amor, e provavelmente nem terá o amor de filho ou marido aos dias de hoje. Vai passando, passa vagarosamente enquanto as arvores num tom procriativo rejeitam as flores dos futuros úteros que desabrocham em mais uma Primavera..."

publicado por Paulo José Matos às 16:55 | favorito